Fico me perguntando se não sou uma espécie de Sad Keanu local, com uma vida a
considerar e que daria inveja a outras pessoas, mas que prefere por si só ficar
vagando por aí dentro da minha intransponível alma que cabe dentro de uma roupa
qualquer, sentado em um banco qualquer, deixando passar alguma hora qualquer.
Não é que eu não tenha aspirações, apenas não me
permito ser igual a tantos iguais, apenas me permito tentar ser eu mesmo, coisa
em falta em tempos que aceitamos que uma foto compartilhada seja mais
interessante do que uma conversa cara a cara.
É só um modo diferente de ver as coisas. O que se percebe
facilmente é essa correria por dinheiro, status, admiração, bajulação, sexo, mais
e mais e mais, e tudo do modo mais rápido que se puder. É um conceito de
felicidade atual, que tem esse roteiro pré-determinado. Caminho de tantos, não
meu. Ainda e sempre prefiro meus valores, minha identidade, meu canto.
Aliás, se notar (embora eu não saiba ao certo se eu
quero que isso aconteça), estou em um canto em todo lugar que eu vou. Na casa
de alguém, estou lá sentado de cabeça baixa em algum cômodo, na rua ando o mais
estreito que puder junto aos muros, nos lugares com mais gente sempre fico
escolhendo onde ficar para me tornar visível só a quem eu quero, e se me
mostro, estou escondido atrás de um violão, de um copo, de uma pseudo-alegria, e
então, no meu canto, permito-me deixar vir naturalmente todo sentimento que
queira aparecer.
Pois é desta maneira que, de certa forma, também carrego
a tristeza comigo. Acho ela, inclusive, uma amiga muito interessante, me mostra
coisas que a alegria mascara. Conheço o final do poço, estive lá em algumas
oportunidades, mas ao contrário do que se quer e do que se pensa, não fiquei
implorando e choramingando para alguém me tirar dali.
Não fugi. Encarei a melancolia, perguntei o que ela
queria comigo. Resolvi ficar. Resolvi fazer do poço minha sala de estar, e
aprender a ver o que está em volta, e aprender a tirar a beleza diferenciada
que ele me proporciona. Tem gente que tem estômago para isso, que senta nesse
sofá e escuta o que a tristeza tem a dizer nesta nova visita.
Não me questione por isso, é desnecessário, não vou
mudar e nem vou escutar os conselhos rasos que vierem. Sou assim e mais do que
ninguém sei lidar comigo mesmo. Já diria alguém com o qual tenho uma certa
afinidade: “Vocês precisam ser felizes pra viver, eu não”.
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